Comentário Expositivo do Novo Testamento - Neste perfil, fazemos a exposição exegética de cada versículo, frases e palavras, com detalhes. Este comentário não é um tratado teológico para acadêmicos, mas sim para os leitores amantes da palavra de Deus. Usamos uma linguagem bem compreensível para quem ainda não é profundo no conhecimento bíblico. Qualquer membro do corpo de Cristo tem a capacidade de aprender com os ensinos simples deste Comentário Expositivo do Novo Testamento.
sexta-feira, 23 de julho de 2021
Atos 23.3
Atos 23.3 - Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir?
ENTÃO PAULO LHE DISSE. Em sua vida como missionário Paulo já havia passado por inúmeras situações de perseguições e em várias delas até por perigo de bem perto da morte, agora, era como se ele não mais tivesse medo de partir desta vida para a outra, dada a segurança que ele tinha de em Cristo Jesus ganhar a vida eterna. Além do mais, o apóstolo tinha pela certeza que Deus estava no controle de tudo, e que as profecias já anunciadas a seu respeito tinham que ser cumpridas no tempo certo de Deus.
DEUS TE FERIRÁ. A tapa que Paulo recebeu em sua boca lhe causou revolta, pois ele sabia que não tinha feito nada de errado, nem contra os romanos, nem contra os judeus, nem muito menos contra a ninguém que estava presente naquele momento dentro do sinédrio. O ato de humilhação que Paulo sofreu perante todo o conselho fez com que ele lançasse uma profecia contra quem mandou lhe agredir injustamente.
PAREDE BRANQUEADA. Esta expressão utilizada por Paulo não era o nome de uma doença, mas sim, uma acusação de Paulo contra o sumo sacerdote. O apóstolo cita um proverbio conhecido daquela época, para designar aquelas pessoas hipócritas, que pareciam uma coisa, mas na verdade era outra pessoa. O que as pessoas esperam de um sumo sacerdote é que ele seja bom, e não um homem perverso e violento.
TU ESTÁS AQUI ASSENTADO. Paulo não sabia que o seu agressor era o sumo sacerdote, por isso que ele fala em Atos 23:5 - E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo. Por não saber do nome daquela autoridade é que o apóstolo destaca a sua posição perante os demais, pois é possível que o sacerdote ficasse em uma posição elevada.
PARA JULGAR-ME. Era fato que os presos, antes de serem submetidos ao julgamento do sinédrio judaico passavam por secções de castigos no tocante as investigações, mas isso era feito pelas autoridades romanas. No caso de Paulo, por ser um cidadão romano, ele não poderia sofrer nenhum tipo de agressão. Neste caso do sinédrio, Paulo estava ali para ser julgado, onde ele apresentaria sua defesa, e os seus opositores que apresentassem suas acusações, e não para ser agredido por ninguém.
CONFORME A LEI. Em se tratando da lei de Moisés, não era permitido que se castigasse o réu, em julgamento pelo conselho dos anciãos, enquanto não terminasse o interrogatório, e por fim, o veredito de condenação. Já no que diz respeito às leis romanas, como Paulo era um cidadão romano, ele não poderia em hipótese alguma ser castigado, sem que fosse primeiro condenado pelos tribunais superiores de Roma.
E CONTRA A LEI ME MANDAS FERIR? Paulo estava requerendo seus direitos, como cidadão judeu que era, mais também por usufruir de direitos inegáveis de cidadão romano. De acordo com as leis vigentes naquele momento, a reunião poderia ser dissolvida automaticamente, por quebra de decoro por parte de um membro do sinédrio, e até certo ponto, o sumo sacerdote ser penalizado por estar como transgressor da lei e não como guardião da mesma. O sumo sacerdote estava errado.
Atos 23.1-2
Atos 23.1-2 - E, fixando Paulo os olhos no conselho, disse: Homens irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca.
E, FIXANDO PAULO OS OLHOS NO CONSELHO. Não temos como conjecturar o que se passava na mente de Paulo, quando ele fica olhando para todos os membros do sinédrio, o que podemos dizer é que isto causou certa admiração por todos. Este homem de Deus tinha uma coragem invejavam, e enfrentando de cabeça erguida seus opositores, queria aproveitar esta oportunidade para falhar-lhes do seu testemunho, e quem sabe pregar o evangelho para as lideranças do seu povo, seguidores de Moisés.
DISSE: HOMENS IRMÃOS. Esse era o modo de se dirigir aos seus ouvintes, sabendo que não tinha como falar em paz, como de costume os judeus saudavam uns aos outros, porque na verdade, Paulo sabia que os membros do conselho não tinham paz para com ele. Uma coisa era certa é que o preso, que eles aceitassem ou não era também judeus, assim como a maioria eram, e que fazia parte da mesma linhagem.
ATÉ O DIA DE HOJE TENHO ANDADO DIANTE DE DEUS. Como um bom judeus que era, Paulo tinha cuidado em cumprir muita coisa da legislação de Moises, mesmo fazendo parte do cristianismo. O apóstolo dos gentios ensinava que os gentios convertidos para Cristo não tinham obrigação de guardar a lei de Moisés, mas para quem era judeu de sangue, Paulo defendia que tivesse respeito e consideração à legislação de Moises.
COM TODA A BOA CONSCIÊNCIA. O que Paulo pretendia dizer para todos neste momento é que ele tinha plena tranquilidade que não estava transgredindo os bons costumes e as mais antigas tradições dos judeus. A missão que o apóstolo vinha cumprindo era de fato a determinação de Deus sobre a sua vida, desta forma, não havia na mente de Paulo nenhum peso de consciência lhe reprovando diante de Deus.
MAS O SUMO SACERDOTE, ANANIAS. De repente Paulo é interrompido em sua fala pela interferência de alguém que estava presenta no conselho, com o objetivo de intimidar o homem de Deus. O sumo sacerdote era de fato o dirigente da reunião, principalmente quando o assunto ou pauta principal da convocação era de cunho religioso. É provável que o apóstolo não conhecesse pessoalmente o sumo sacerdote.
MANDOU AOS QUE ESTAVAM JUNTO DELE. O texto não nos faz saber se o sumo sacerdote deu ordens a alguns dos membros do sinédrio ou se havia neste memento alguns soldados romanos acompanhando a Paulo, por mandado do tribuno. Esta atitude violenta por parte do sumo sacerdote para com o apóstolo Paulo mostra o abuso de autoridade que os membros do conselho exerciam sobre os que eram julgados por eles, ao ponto de praticarem atos absurdos para humilhar os presos.
QUE O FERISSEM NA BOCA. Não dá para entender o porquê, o sumo sacerdote mandou agredir a Paulo, até porque, o apóstolo não fez nada que desabonasse nenhum dos que estavam presente. Será que foi porque Paulo lhes chamou de irmãos? Ou foi simplesmente porque o apóstolo disse que era inocente, ao declarar que não tinha nenhuma acusação de sua própria consciência pelo que fazia e vivia?
quinta-feira, 22 de julho de 2021
Atos 22.30
Atos 22.30 - E no dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que era acusado pelos judeus, soltou-o das prisões, e mandou vir os principais dos sacerdotes, e todo o seu conselho; e, trazendo Paulo, o apresentou diante deles.
E NO DIA SEGUINTE, QUERENDO SABER AO CERTO. O final do mesmo dia em que Paulo se revela como cidadão romano, juntando-se a este a noite deste mesmo dia, foi o suficiente para que o tribuno se articulasse, com o objetivo de no dia seguinte apresentar Paulo ao sinédrio judaico. Cláudio Lísias não desejava de fato a condenação do apóstolo Paulo, mais apenas ficar mais informado do que estava envolvendo seu prisioneiro, o apóstolo Paulo, e o ódio demasiado dos seus compatriotas, os judeus.
A CAUSA POR QUE ERA ACUSADO PELOS JUDEUS. Provavelmente, o tribuno era um grego, com cidadania romana, e nesta condição, por não ser um judeu de sangue, não podia entrar no templo de Jerusalém para fazer parte das celebrações judaicas. Por isso que o tribuno não tinha conhecimento do que os judeus estavam acusando a Paulo. O que Lísias podia prever era que os fundamentos de tudo eram religiosos.
SOLTOU-O DAS PRISÕES. Este caso da prisão de Paulo pelo tribuno teve uma repercussão muito grande, ao ponto do apóstolo ficar preso na fortaleza de Antônio, uma vez que, os presos comuns, geralmente ficavam detidos em cadeias comuns da cidade. Além do mais, já dentro da fortaleza, Paulo ainda ficou separado em uma cela segura, quem sabe o tribuno suspeitava que os judeus invadissem a própria fortaleza.
E MANDOU VIR OS PRINCIPAIS DOS SACERDOTES. Tudo já estava programado para que o tribuno apresentasse a Paulo com o objetivo de fazer uma investigação e se descobrir o que fazer com o preso. De acordo com as tradições desta época, os judeus tinham o sumo sacerdote, que era a principal liderança do judaísmo, mas também tinha uma ordem de sacerdotes que compunha uma equipe de vinte e quatro outros.
E TODO O CONSELHO. Este conselho era a mesma coisa que o sinédrio judaico, composto pelas principais lideranças religiosa dos filhos de Israel, juntamente com lideranças importantes da própria sociedade dos judeus, além das autoridades do império político de Roma. Este conselho era muito importante para os judeus, porque eles não tinham tribunais civis, pois, neste, eles resolviam suas muitas demandas.
E TRAZENDO A PAULO. Havia um ritual de cerimônia para a abertura de cada secção do sinédrio, para então, no momento oportuno, trazer a tona as principais pautas da reunião. Como esta era uma secção extraordinária do conselho, provavelmente, os membros do sinédrio foram direto ao assunto, em que o tribuno, como representante do império político de Roma, apresenta a causa e o causador da reunião, Paulo.
O APRESENTOU DIANTE DELES. Este era um momento importante, em que o acusado tinha a oportunidade de se defender perante o conselho, expondo suas rações, com o objetivo de se explicar. É dado por certo que todos os participantes do sinédrio já estavam cientes das acusações que os judeus apresentavam contra o apóstolo dos gentios, até porque, tudo começou ainda dentro do templo de Jerusalém, em pleno dia de celebração, e isso causou grande repercussão diante dos líderes e da sociedade.
Atos 22.29
Atos 22.29 – Imediatamente, pois, se afastaram dele, os que o haviam de interrogar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado.
IMEDIATAMENTE, POIS. Disse Jesus: Bem-aventura aquele que tem fome e sede de Justiça. Paulo não aceitava que seus direitos fossem violados, mesmo que fosse por altas autoridades do império romano. O ódio religioso dos judeus não poderia em hipótese alguma passar por cima de um homem justo, nem a injustiça vencer o bem, por isso que o apóstolo dos gentios começou a requerer seus direitos que vinham sendo até então atropelados, simplesmente por um capricho irracional e maléfico.
SE AFASTARAM DELE. Temos aqui, certamente todos os soldados, que já estava de prontidão para praticarem barbaridades contra um homem de bem. Provavelmente, também se refere o texto ao centurião, que presente no interrogatório faziam as perguntas, enquanto os soldados açoitavam e batiam no preso. Depois que descobriram que Paulo era um cidadão romano, ninguém ousava chegar perto dele.
OS QUE O HAVIAM DE INTERROGAR. Paulo estava de fato preste a ser massacrado pelos soldados romanos, uma vez que, neste tipo de interrogatório verdadeiras aberrações eram praticadas contra os presos. Com Paulo não seria diferente, pois ele a pouco tempo promoveu uma grande confusão dentro e fora do templo de Jerusalém, com isso, os interrogadores pretendiam arrancar dele muitas informações do porque havia provocando tanta revolta dos seus opositores, querendo lhe matar.
E ATÉ O TRIBUNO. Até certo ponto, Cláudio Lísias tinha protegido a Paulo, quando este se encontrava em perigo diante da multidão enfurecida dos judeus, mais isso, não lhe dava o direito de praticar ilicitude contra um cidadão romano. O fato de ser um tribuno, não lhe dava o direito de infligir às leis vigentes, principalmente por ele, que estava na cidade de Jerusalém, como autoridade romana, para fazer cumprir a lei.
TEVE TEMOR. Não há dúvida que o tribuno percebeu que Paulo era um homem importante, e que poderia requerer seus direitos perante os tribunais romanos e prejudicar o tribuno, que era um guardião da lei, e não um transgressor dela. Pode ser que o tribuno tenha pensado que Paulo não iria abrir mão de cobrar as devidas providências naquilo que seus direitos foram violados por uma grande autoridade.
QUANDO SOUBE QUE ERA ROMANO. Na verdade, era para o tribuno ter feito a pergunta se Paulo tinha cidadania romano desde o primeiro momento que se deparou com ele, porem, como o tumulto era grande e a gritaria era exacerbada, houve então uma falha grave por parte da autoridade romano. Até certo ponto Paulo tentou fazer essa comunicação, mais somente mais tarde é que foi ouvido pelo centurião na prisão.
VISTO QUE O TINHA LIGADO. Se o tribuno ou o centurião tivesse agido conforme as leis romanas, não teriam cometido um erro grave contra a pessoa de Paulo, pois conforme os seus direitos como cidadão romano, Paulo não poderia ser amarrado, nem submetido a um interrogatório desta magnitude, que ele estava presta a ser submetido. É claro que o pior foi evitado, e o apóstolo Paulo não tinha a intenção de prejudicar a quem quer que seja, o que ele desejava era ter seus direitos garantidos.
Atos 22.28
Atos 22.28 - E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento.
E RESPONDEU O TRIBUNO. Ao descobrir que Paulo era cidadão romano, o comandante ficou admirado e até certo ponto assustado, uma vez que ele próprio era um cidadão romano, mas para tanto, não foi de maneira fácil que adquiriu este tão elevado título. Não era comum entre os judeus encontrar em Jerusalém ou em Israel alguém com o título de cidadão romano, uma vez que, para que alguém que nascera fora de Roma, somente pessoas muito ricas compravam este alto direito romano.
EU COM GRANDE SOMA DE DINHEIRO. Os historiadores nas trazem a informação que por este tempo, os familiares dos imperadores vendiam por grandes somas de dinheiro o título de cidadão romano para pessoas de outras nacionalidades. O que o tribuno declara para Paulo é que ele não era um legítimo cidadão romano, mas que tinha adquirido por dinheiro os seus documentos e seus direitos de se romano.
ALCANCEI. Fora da jurisdição da própria Roma imperial, esse status de ser um cidadão romano era motivo de elevado privilégio para qualquer ser humano, pelo fato de que, tal pessoa passava a ser muito respeitada diante de toda a sociedade. No caso do tribuno, além de ser um cidadão romano, ele também era uma alta autoridade que em Jerusalém representava em parte o próprio império no exército como comandante.
ESTE DIREITO DE CIDADÃO. O tribuno estabelece um diálogo com Paulo, mostrando o caminho que ele percorreu para alcançar o título tão importante de cidadão romano, certamente estava curioso para saber de como o preso Paulo também tinha alcançado seu título de cidadão romano. O tribuno em sua colocação feita diante de Paulo reconhece que os direitos adquiridos com este título eram muitos preciosos e que as coisas deveriam mudar no tocante ao tratamento que Paulo passaria a receber.
PAULO DISSE. A resposta de Paulo foi direta e fez com que o tribuno compreendesse que ele não era qualquer um, e que a partir de agora requeria seus direitos, que o tribuno sabia muito bem quais eram. Como Paulo já estava amarrado com as correias que o prendia a um poste, isso era um agravante para o tribuno, ele que mandara que o centurião o amarrasse a fim de ser castigado, açoitado e maltratado na fortaleza.
MAS EU O SOU. Quem sabe, neste exato momento, Paulo mostra sua documentação ao tribuno em comprovação de que na verdade era um cidadão romano. A forma como o apóstolo faz a sua afirmativa nos faz pensar que o tribuno poderia estar duvidando das palavras de Paulo, ele que diante de uma grande autoridade pedia respeito, por ser ele, Paulo alguém que tinha direitos e que neste momento requeria.
DE NASCIMENTO. Neste caso de Paulo, podemos pensar pelo menos em das possibilidades, em que a primeira delas diz respeito ao fato de que o pai de Saulo de Tarso era um cidadão de altas posses financeiras, tendo, portanto, comprado para toda a sua família o direito de cidadão romano. Na segundo hipótese, podemos seguir as informações que os historiadores nos fornecem que todos os cidadãos que nasciam em Tarso, sistematicamente ganhavam o direito ao alto título de cidadão romano.
Atos 22.26-27
Atos 22.26-27 - E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano. E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim.
E, OUVINDO ISTO, O CENTURIÃO FOI. O que Paulo havia dito ao centurião no versículo anterior, fez toda a diferencia, uma vez que o centurião deu ouvidos ao que falara o apóstolo, despertando para o perigo de açoitar ou maltratar um cidadão que tinha o título de romano. Portanto, o centurião não deu procedimento ao que estava planejado, com a secção de torturas para interrogar o preso Paulo. Mas a autoridade romana decidiu que era mais cauteloso consultar seu superior sobre o que fazer.
E ANUNCIOU AO TRIBUNO. O centurião nem perguntou se Paulo era de fato um cidadão romano, bastou que o preso perguntasse a ele se lhe era lícito açoitar um cidadão romano, isso foi o suficiente para que o centurião tomasse a devida providência para não praticar algo de errado, de acordo com as leis romanas. É bem provável que o centurião tenha feito o anuncio tentando poupar também ao tribuno.
DIZENDO: VÊ O QUE VAIS FAZER. Para que os soldados romanos seguissem com o interrogatório com açoites e muita pressão sobre Paulo, eles tinham que receber uma ordem do centurião, e o centurião por sua vez tinha recebido ordens do seu superior que era o tribuno, por isso que o centurião ao falar com o tribuno lhe aconselhou que fosse cauteloso quanto ao preso Paulo, pois este era um cidadão romano de direito.
PORQUE ESTE HOMEM É ROMANO. Esta declaração feita pelo centurião ao seu superior, o tribuno, era o salvo conduto para o apóstolo Paulo, que poderia ser poupado dos açoites que estava preste a receber. A partir de então, as autoridades romanos tinham que dar um tratamento diferenciado ao preso, porque este não era um homem comum, como qualquer um judeu. Ser um cidadão romano era privilégio.
E VINDO O TRIBUNO. O anúncio feito pelo centurião, sistematicamente despertou o interesse do tribuno em vir ao encontra mais uma vez de Paulo, a fim de se certificar se esta notícia era verdadeira ou não, até porque se fosse falsa, as coisas poderiam em muito piorar para o preso. A realidade é que deste os primeiros momentos o tribuno vinha agindo com cautela, e até certo ponto, favorecendo a Paulo para que ele não fosse apedrejado e morto por todos aqueles que estavam revoltados contra ele.
DISSE-LHE: DIZE-ME, ÉS TU ROMANO? Esta pergunta tinha que ser feita diretamente pela maior autoridade da fortaleza, porque as normas determinavam justamente assim. O texto não entra em detalhes, mais certamente, o tribuno deve ter solicitado que Paulo mostrasse seus documentos em comprovação de sua cidadania romana. Uma vez comprovada à afirmativa, que com certeza isso foi feito, tudo mudaria então.
E ELE DISSE: SIM. Esta resposta por parte do apóstolo dos gentios mudou completamente o curso das investigações, porque a partir de agora, o preso só poderia ser julgado pelo conselho dos anciãos ou sinédrio. Esta resposta de Paulo também poderia complicar as coisas para o centurião, bem como e principalmente para o tribuno Cláudio Lísias, haja vista que, Paulo já estava atado, e isso não podia acontecer.
Atos 22.25
Atos 22.25 - E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um cidadão romano, sem ser condenado?
E, QUANDO O ESTAVAM ATANDO. A ordem do tribuno era que os soldados romanos levassem a Paulo para dentro da fortaleza e o submetessem a um severo interrogatório, em que cabia inclusive tortura e muita pressão. Agora, Paulo se encontrava dentro da fortaleza e completamente sujeito aos caprichos dos cruéis soldados romanos, que sem dó castigavam a todos que se encontrassem nesta mesma situação. Era perceptível que os inimigos de Paulo destilavam o mais puro ódio.
COM CORREIAS. O que estava de fato ocorrendo? É que os presos que ficavam nas mãos dos soldados romanos para serem castigados eram amarrados com correias pelas mãos e pés, com as costas voltadas para cima, a fim de facilitar ao seu agressor aplicar suas chicotadas ou varadas. Neste caso, como a acusação feita contra Paulo era de ordem religiosa, então, o castigo era receber quarenta açoites ou trinta e nove.
DISSE PAULO. O apóstolo Paulo estava apenas observando passivamente todo aquele movimento, já tendo a certeza que muito sofrimento lhe aguardava a partir daquele momento. Não restava mais nada a fazer, senão se manifestar em requerer os seus direitos como cidadão romano que era. Não adiantava para Paulo tentar se soltar daquelas correias, até porque ele não tinha como escapar dos muitos soldados.
AO CENTURIÃO QUE ALI ESTAVA. Um centurião era um tipo de comandante que organizava uma tropa de cem soldados romanos. Portanto, isso nos esclarece que era grande a quantidade de soldados que guarneciam ao prisioneiro naquela fortaleza chamada Antônia. Vendo Paulo que estava diante de uma autoridade romana, o apóstolo se dirige a ele para que tivesse seus direitos garantidos por lei. É claro que Paulo já sabia da resposta de sua pergunta, mas ele estava agindo corretamente.
É-VOS LÍCITO. Mesmo que as acusações feitas pelos judeus fossem de cunho religioso de conformidade com as tradições dos hebreus, porém, quem estava julgando neste momento a Paulo eram as autoridades romanas. Assim sendo, aqueles que representavam o Estado tinham que agir de acordo com as determinações das leis romanas. Como Paulo conhecia seus direitos, então, ele usa o seu direito de reclamar.
AÇOITAR UM CIDADÃO ROMANO. Não nos é declarado no Novo Testamento de como Paulo tenha adquirido o seu título de cidadão romano, provavelmente, seus pais fossem pessoas ricas da sociedade de Tarso ao ponto de comprar este título para toda sua família. Como também há quem diga que todos os cidadãos de Tarso da Cilícia tenham ganhado o título de cidadãos romanos como favor do império romano.
SEM SER CONDENADO? Realmente, o direito requerido por Paulo estava de acordo com as determinações das leis romanas em que nenhum cidadão romano poderia ser maltratado nem açoitado, sem que antes fosse julgado de maneira justa. Assim sendo, somente depois de condenado, depois de esgotados os direitos de se defender é que o cidadão romano seria castigado ou acoitado, de conformidade com o tipo de condenação estipulado pelos julgadores, o que não estava acontecendo com Paulo.
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